Deu crush?

Depois de tanto marca, desmarca, remarca, não teve mais como adiar o primeiro encontro pessoalmente com o bonitão do aplicativo de relacionamento. Bem vindo ao novo formato de “pontapé inicial” para se conhecer alguém. Mas fica aqui um alerta: precaução e prudência são indispensáveis! Duvide, questione e investigue ao máximo tudo o que puder sobre a pessoa antes de marcar qualquer coisa com ela.

Programe o primeiro encontro em um lugar de fácil rota de fuga pra você. Isso mesmo! Afinal, se o encontro desandar, você facilmente toma o seu rumo, ele também e bola pra frente. É recomendável também deixar os familiares ou sua melhor amiga de sobreaviso e se preferir, até passar para eles o contato do fulano. Dadas essas recomendações, voltemos à narrativa…

Era segunda-feira e combinamos de nos encontrar em um Shopping Central. Primeiro pela facilidade de se chegar ao local e também por ser um ambiente neutro e cheio de pessoas, afinal, qualquer um pode se tornar o que quiser digitando à distância palavras muito bem calculadas atrás de um computador ou pelo celular. É no face a face que tudo se revela.

Fui a primeira a chegar ao local marcado e como havia uma livraria por perto, aproveitei para entrar e folhear livros diversos e driblar um pouco a ansiedade. Claro, sempre com os olhos na porta de entrada. Aparecia cada figura. Eu pensava: Ufa! Ainda bem que não é esse! Podem perguntar: Mas você já viu a foto, sabe como ele é. Qual o motivo de tanta tensão?

Bom, foto é foto. Pode ter filtros mil e vários efeitos, pode nem ser da pessoa, estar mega desatualizada… O que não falta são possibilidades do encontro pessoalmente não ser aquilo que se esperava. Mas, também pode surpreender! Quem não arrisca não petisca, não é assim que diz o ditado?

Opa! Acho que agora é ele! Uaaaau! Ao vivo está ainda melhor do que na foto. Bem apessoado, com uma bela barba fazendo o contorno do rosto. Tinha cara de homem, sabe? Veio se aproximando na minha direção… Vestia um belo terno, camisa social e gravata. Logo que nos cumprimentamos, ao me virar para lhe dar um beijo no rosto, ele veio pronto para acertar a boca. Pensei: Mas já??? Calma, ainda nem trocamos ao menos um dúzia de palavras. Ai, ai… Vamos ver se as coisas melhoram depois deste primeiro ato impulsivo.

Escolhemos uma mesinha de canto em um charmoso café e pedi um capucchino e um biscoito de queijo para acompanhar. Ele optou apenas pelo café. A mesa era pequena, arredondada e ele sentou-se o mais próximo possível e de frente para mim. Segurava em minha mão, olhava nos meus olhos, mas faltava uma intimidade prévia, assunto, enfim, algo não estava se encaixando. Os beijos recebidos mais me traziam preocupação e constrangimento pelas pessoas ao redor do que me causavam arrebatamento.

É, ainda não é o cara. Lindo, bem vestido, um tanto afoito, bem perfumado… Porém, não mexeu, não balançou. O papo foi diminuindo ainda mais quando o café acabou. Decidimos pedir a conta que cada um por si pagou. Caminhamos até o ponto e meu ônibus ele não esperou. Até perguntou se eu me importava se ele fosse embora e mentindo deslavadamente respondi: Claro que não, ainda é cedo. Aqui está cheio de pessoas. E, sem insistir em ficar um pouco mais, ele se foi mesmo.

Já no ônibus, voltando pra casa, não tive nenhuma dúvida de que é exatamente assim que deve agir um cara que queira ter um primeiro e único encontro com uma mulher. Deixe o cavalheirismo de lado, seja precipitado e acredite que sua beleza já é suficiente para abrir todas as portas e possibilidades. Não, não e não… Não é bem assim!

Inteligente mesmo é o cara que sabe cultivar seu carinho e atenção com dezenas de gestos no decorrer do dia, das semanas… Aquele que te envia um áudio ou mensagem carinhosa desejando bom dia, depois faz uma ligação inesperada, te faz rir, se importa e vai se fazendo presente mostrando uma curiosidade sem fim por tudo o que diz respeito ao seu mundo. Assim vai agir quem estiver realmente a fim, buscando mais do que um momento solto e descompromissado com você.

Ele irá muito além de dizer que “você é linda” ou da vontade de beijar a sua boca. Não que estas coisas sejam ruins, pelo contrário, são muito bem vindas. Mas pra dar liga, para que aconteça o 2º, 3º, 4º, até se perder a conta dos encontros, é preciso mais, muito mais…

Não jogue a toalha! Alegre-se por todas as oportunidades e possiblidades que a vida tem colocado diante de você. Até mesmo pelas experiências não tão agradáveis pelas quais passou. Sem elas você não teria a sabedoria e maturidade de agora. Já pensou nisso?

E assim, sem data marcada ou roteiro, sem pressão, quando menos se espera, pouco a pouco as almas vão se identificando, se desarmando, deixando o medo e as reservas para trás… O encontro acontece, a busca se finda, o coração se aquieta.